Com Espinosa, no Peixoto

(Reportagem para O Estado de S. Paulo, publicada em 27 de janeiro de 2008.)

 

O delegado Espinosa está sentado lá, naquele banco de madeira em que se escondeu do sol, na Praça Edmundo Bittencourt – que todos chamam simplesmente ‘A Praça’ – no Bairro Peixoto, em Copacabana, Rio de Janeiro. Vive ali desde os nove, dez anos de idade, e jogou na quadra de futebol de salão em que outros garotos correm agora, nesta pérola que é o Peixoto ainda hoje, mas que brilhava mais décadas atrás, quando um grande bambuzal ainda germinava em um de seus cantos. Foi onde Espinosa conheceu Hugo Breno, um ano mais novo, e com quem brincou, embora recentemente tivesse que fazer esforço para lembrar-se dele.

Os leitores já perceberam: o delegado Espinosa é criação do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, e está em sete aventuras nos sete livros de que é personagem, o mais recente deles o ‘Na Multidão’, lançado em novembro pela Companhia das Letras, e que poucos dias depois teve esgotada sua primeira edição, de dez mil exemplares. Companheiro na adolescência, Hugo Breno reaparece nesse volume.

Garcia-Roza já foi editado nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Alemanha, Rússia, Grécia e Portugal, e está em vias de ser lançado na Dinamarca.

Uma ressalva: Espinosa não vive só para seu criador, mas também para todos os milhares de leitores que conquistou, e que procuram por ele, nos lugares que freqüenta nos livros, mas que são reais, estão ali, no Peixoto e em Copacabana, leitores esses que chegam perguntando ‘Ele já passou por aqui hoje?’

Espinosa-Garcia-Roza levanta-se do banco da praça e estamos diante do homem alto, magro, de fala cansada – o delegado que o escritor descreveu assim e apenas assim, também pela única vez, em seu primeiro livro, ‘O Silêncio da Chuva’, de 1996. “Nunca disse sequer se Espinosa é preto ou branco”, explica ele.

Garcia-Roza é magro, tem apenas um incipiente volume que os 72 anos colocaram em sua cintura, é relativamente alto para os padrões brasileiros, mas esqueçam a fala cansada: sua voz é grave e alta, revela o vigor de uma pessoa determinada que já foi professor e escritor nos campos da Filosofia e da Psicologia, e que 12 anos atrás resolveu mudar de horizontes e dedicar-se à literatura policial.

Se Espinosa jogou bola em sua infância, ali no campinho, o mesmo não aconteceu com Garcia-Roza: ele jogava em outro campo, não muito distante daqui, na rua em que nasceu, a Cinco de Julho. Mas a praça do Peixoto era presença constante.

– Passei toda a minha infânciaem Copacabana. Meninos, eu e meus amigos vínhamos andando de bicicleta até aqui, que era um local maravilhoso, ainda não urbanizado, era uma grande área natural e a gente andava de bicicleta por tudo, o que me deu uma grande intimidade com o lugar, não só a praça, mas todo o entorno. Então eu escolhi o Bairro Peixoto como moradia do Espinosa. Eu já havia decidido que ele seria um personagem que iria atravessar vários livros – claro, isso se o segundo, o terceiro, fossem publicados, mas eu já tinha um certo otimismo em relação a ele. E achei que este seria um bom local para ele habitar.

O Bairro Peixoto, encravado em Copacabana, fica entre o Morro dos Cabritos e o Morro São João, no espaço compreendido pelas ruas Henrique Oswald, Santa Clara e Lacerda Coutinho, a Ladeira Tabajaras e a Rua Tonelero. Segundo a Associação dos Amigos do Bairro, são aproximadamente 440 prédios e nove mil moradores. Em qual dos prédios, nesta praça, moraria o Espinosa?

– Pois é – diz Garcia-Roza, rindo – eu limito um pouco as possibilidades. – Eu digo que ele mora em um apartamento que tem janela francesa, o que já é bastante limitador, e que é um prédio de três andares. Então, três andares, janela francesa e um balcãozinho…

– É aquele.

– Pois é, mas é quase… Na verdade nenhum prédio daqui preenche todos esses requisitos. Mas este, o amarelinho, é muito parecido.

É o de número 396 da Rua Maestro Francisco Braga, em frente à praça, amarelo claro de três andares e grandes janelas. A que está mais aberta, à esquerda de quem olha, seria a da sala de Espinosa, através da qual Hugo Breno observa o delegado em “Na Multidão”. Hugo Breno, o duplo de Espinosa.

– Ele é um duplo forçado, né? – diz Garcia-Roza. – Porque o Hugo Breno se espelha, é um processo de identificação doentio, desde menino, é uma identificação, uma idolatria, a relação que ele tem com Espinosa é especular. Tanto que Espinosa faz concurso para a polícia, ele faz concurso para o banco, Espinosa descasa, ele não casa, ele fica na frente do espelho imitando gestos e palavras… De maneira que ele é um duplo. Ele é um duplo do Espinosa malgré o próprio Espinosa, aconteceria soubesse ele ou não. E como em toda relação especular um é o verdadeiro e o outro não, e a única forma de resolver isso é quebrando o espelho.

Espinosa e Hugo Breno travam uma batalha verbal a cerca de cem metros daqui, na Rua Décio Vilares 316, no simpático Hotel Santa Clara, um prédio pequeno, de três andares, fachada combinando o branco e o azul num estilo bem típico do Bairro Peixoto. O nome Santa Clara não é citado no livro, mas Garcia-Roza confirma que o palco foi este, e conta que já se hospedou no hotel duas vezes, quando procurava sentir o movimento do Peixoto atual. Na terça-feira, 15, ele voltou lá à procura de Heber Brandão, o gerente, levando-lhe um livro com dedicatória. No hotel, ao lado da pequena recepção, há um quadro com a reprodução de um texto jornalístico sobre Espinosa, o que atrai a atenção dos hóspedes. Heber conta:

– Eles perguntam quem é, se mora no bairro, se está hospedado aqui. O Garcia-Roza já fez várias referências ao hotel em seus livros, e somos muito agradecidos a ele por isso.

O leitor saberá mais da relação Hugo Breno-Espinosa no livro de Garcia-Roza. Que conta agora como escolheu e moldou seu personagem.

– Espinosa nasceu de uma série de ‘nãos’. Quando eu parei de escrever livros conceituais, de teoria, acadêmicos,… Eu disse que o dia em que conseguisse parar com isso eu tentaria a ficção. E mais: eu começaria com ficção policial.

Teria a Psicologia levado Garcia-Roza a escolher o gênero policial? Não se pode dizer que não. “Acho que é possível fazer uma relação entre a novela policial e a prática psicanalítica, mas num sentido amplo” disse ele em uma de suas entrevistas. “Primeiro, ambos são o exercício da suspeita. Você parte da suspeita de uma recusa do óbvio, do dado, que no caso da psicanálise é o que o paciente conta como um relato consciente, e a partir da recusa disso como contendo a verdade, você vai, através das falhas, das fendas e das hesitações, ou seja, nos interstícios deste discurso, vai procurar o que seria o significante inconsciente, ou aquilo que seria a manifestação do inconsciente. Você parte de certos fragmentos para procurar algo que não é aquele discurso, é outra coisa. Da mesma maneira a investigação policial é feita a partir de fragmentos para descobrir o que seria outro registro, outro plano, que é o plano do crime propriamente dito. Então, nesse sentido, eu acho que há certa analogia entre a prática psicanalítica e a prática policial”.

Voltando à criação de Espinosa:

– Mas eu pensava: como fazer ficção policial num país em que a polícia, desde o tempo em que eu era menino, no tempo daquela polícia especial do Getúlio, do Filinto Muller, os policiais eram trogloditas, de uma violência extraordinária? Eles prendiam, torturavam, faziam o diabo. E até bem recentemente a polícia era assim, repressora, grosseira, e acima de tudo corrupta. Então eu me perguntava: como fazer romance policial num país assim? Quem é que vai ter um mínimo de simpatia pelo personagem? Bem, então achei que a chance era fazer do meu personagem um detetive particular. Ficou pior ainda, porque não há nenhum espaço para detetive particular nessa cultura nossa. Seria risível. Bem, então não tinha jeito, teria que ser policial. Aí resolvi criar um personagem que, antes de qualquer coisa – antes de ser forte, bonito, bater, dar tiros – ele teria que ser íntegro, ético. E que fosse um homem comum, não precisava ser um super-herói. Ele, apenas sendo ético, e eficiente, poderia criar uma imagem simpática de um policial que fosse parte do aparelho do Estado. Isso foi em 96, por isso já tínhamos uma década de alívio em relação à ditadura e, portanto, já se poderia tentar modificar um pouco a figura do policial na ficção. Então o Espinosa surgiu daí, quase que de uma não escolha, porque não havia saída.

Garcia-Roza já disse, e repete, que não se baseou em nenhum herói existente para criar seu personagem. Não houve qualquer inspiração, mesmo porque, costuma dizer, não acreditaem inspiração. Porisso não há semelhança com Philip Malowe, de Raymond Chandler, nem com Sam Spade, de Dashiel Hammet, nem Nero Wolfe, de Rex Stout. Admite que haja pontos em comum entre Espinosa e Salvo Montalbano, do italiano Andrea Camileri, e também entre ele e o comissário Maigret, do belga Georges Simenon. E uma semelhança longínqua com Pepe Carvalho, do espanhol Manuel Montalban.

Fisicamente ele ficou naquelas poucas palavras em ‘O Silêncio da Chuva’: magro, alto, com 42 anos. Mas esse é você, Garcia-Roza. Ele ri bastante antes de responder.

– Mas eu não tinha 42 anos. (Mais risos). Eu criei uma figura que era feita mais de lacunas do que de traços delineados, e isso foi de propósito. Eu deixei que o leitor fosse preenchendo essas lacunas e eu mesmo fui aos poucos dando elementos para esse preenchimento. A cada livro eu acrescento mais alguma característica, mas nunca com o intuito de no fim ter um desenho acabado dele.

Uma curiosidade de Espinosa que precisa ser contada: sua estante de livros. Espinosa lê muito, adora procurar preciosidades em sebos, e costuma acumular livros pelo apartamento, para desespero de sua arrumadeira. Então resolveu improvisar uma estante, assim descrita em ‘O Silêncio da Chuva’: “Uma curiosa estante sem prateleiras, arrumando os livros em pé junto à parede e formando fileiras separadas uma das outras por livros deitados. A pilha atingia a altura da cintura e ocupava a única parede livre da sala”. De onde tirou ele a idéia?

– Tive uma experiência pessoal com aquilo ­– conta divertindo-se. – Uma vez precisei juntar um monte de livros meus e a idéia que tive foi aquela. Curiosamente, tempos depois, ao folhear uma revista de decoração, vi a foto de uma estante como aquela. Veja, é um pouco complicado na hora de retirar um livro, mas funciona.

Quando surgiu em sua primeira aventura Espinosa era inspetor da 1ª DP, na Praça Mauá, centro do Rio. Hoje é delegado titular da 12ª DP,em Copacabana. Atransferência e a promoção foram por motivos estratégicos, explica Garcia-Roza, e por motivos estratégicos entenda-se salário. Ele se deu conta de que com o salário de inspetor, ou de detetive, Espinosa não poderia ter o tipo de vida que tinha, ele precisava de um salário um pouco melhor.

Aqui na 12ª DP, na Rua Hilário de Gouveia, 102, o delegado titular é uma mulher, Martha Mesquita Rocha, que substituiu outra delegada, Monique Vidal. Para Garcia-Roza, a presença feminina na polícia é um dos motivos que está provocando uma mudança – para melhor – na imagem dos policiais. Hoje em dia, ele considera, delegados íntegros e éticos como o seu personagem já estão mais presentes nas delegacias. E ele fala de uma conversa que teve com um delegado que citou filosofia grega usando termos gregos.

Garcia-Roza é logo reconhecido, na portaria da 12ª DP, por uma senhora que está ali em busca de alguma informação. É uma ex-aluna que logo se aproxima e o cumprimenta pelo sucesso de seus livros e de seu personagem. Mas e a delegada Martha Rocha, já conheceu Espinosa, já leu um dos livros?

– Não, não li não, querido.

O mesmo não se aplica à simpática senhora Bia, do restaurante Baalbek, na Galeria Menescal, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Este é o restaurante, o árabe,em que Espinosapassa sempre para comprar seus quibes e suas esfihas. A Galeria Menescal, trajeto do delegado a caminho do Peixoto, ainda conserva suas paredes e pisos em mármore italiano, e é tombada pelo Patrimônio Histórico. Entre essas paredes está, há 50 anos, o pequeno espaço do restaurante, na verdade hoje apenas uma loja em que são servidos seus produtos para pessoas que os levam, como Espinosa, ou que os comem ali mesmo. Bia sorri, entrega logo um de seus quibes a Garcia-Roza, e comenta: “Ele esteve aqui, não, com o duplo?”. Sim, Hugo Breno e o delegado estiveram lá. E ela acrescenta:

– As pessoas chegam aqui perguntando “Ele já passou por aqui hoje?”.

Na tratoria, a tratoria já famosa para os leitores, as pessoas também perguntam por Espinosa. É uma casa tipicamente italiana,La Trattoria, na Rua Fernando Mendes, quase esquina com a Avenida Atlântica, tambémem Copacabana. Alio delegado costuma almoçar ou jantar, na maior parte das vezes sozinho, mas também acompanhado da equipe, quando então, durante as refeições, é proibido falar de trabalho. Espinosa ocupa uma mesa que fica à esquerda de quem entra, é a última daquela ala, encostada à janela. A casa foi fundada pelo senhor Mario Pautasso, hoje com 77 anos. E que, assim que Garcia-Roza entra, pergunta “Cadê o Espinosa? Taí?”. E conta que lançou um prato em homenagem a ele, o Risoto de Bacalhau à Delegado Espinosa, que explica como sendo arroz, bacalhau desfiado, bastante azeite e um pouco de petit pois. Que fez sucesso, acrescenta.

– Quando entram aqui, muitas pessoas perguntam logo qual é a mesa dele.

Neste seu livro mais recente, ‘Na Multidão’, Garcia-Roza cita uma obra de Edgar Alan Poe, ‘O homem das multidões’, e dela retira uma epígrafe. Teria ele se inspirado em Poe? Não, responde. E diz que foi ao conto de Poe depois que decidiu usar como tema o homem que se perde na multidão. A questão que tinha é a de que há pessoas que, quando angustiadas, precisam ir a um lugar em que haja muita gente. Precisam da multidão para se encontrar. Então, diz, foi ao Poe, como também a Walter Benjamin, para ver o que eles teriam a oferecer. Conta que faz isso raramente, até porque prefere não ler autores que estejam ligados à temática que está abordando.

– Eu não acredito muito nessa história de inspiração, não. Esse negócio de que de repente baixou um… Eu acho que existe um processo de feitura do texto que tem outro processo, subterrâneo, por baixo do mais óbvio, no qual o texto continua sendo elaborado; ele não continua sendo escrito, mas continua sendo elaborado na sua cabeça, tanto que você às vezes acorda no meio da noite com uma idéia. Não é que baixou inspiração, é que aquilo ali já estava sendo produzido.

A epígrafe retirada do conto de Poe é “A essência de todo crime permanece irrevelada”. O que Garcia-Roza tem a dizer sobre ela?

– Ela é apenas aparentemente óbvia, tanto que já vi interpretações as mais bizarras. Ela é no sentido de que o crime, sobretudo o homicídio, ultrapassa, e muito, o fato em si, o ato de matar o outro. O que leva alguém a matar uma pessoa? Isso vai desde o matador profissional, que mata com o maior sangue frio, até o assassinato sob extrema angústia, e que resulta em maior angústia ainda depois que foi cometido. De modo que a complexidade de um crime ultrapassa em muito a banalidade de se descobrir quem matou, e a prisão de quem matou. Quando você descobre quem matou, você descobre um aspecto, uma fatia da questão. E do ponto de vista policial pode ser o ponto final: a polícia se propõe a descobrir e prender quem matou fulano. Mas e a motivação do cara que cometeu o crime? O que motivou o assassinato? Em suma: o crime ultrapassa em muito a questão do whodunit?. A essência de todo crime permanece irrevelada, como disse o Poe, porque o criminoso pode ser preso, mas não revelar os motivos que o levaram ao crime. O crime, sobretudo o homicídio, é de extrema complexidade psicológica, uma dimensão que às vezes resulta de sua própria interioridade.

Podem aliviar-se os leitores que acreditaram em uma tolice publicada por um jornal carioca a respeito de ‘Na Multidão’. Ali foi dito que aquela seria a última história de Espinosa, que estaria sendo aposentado por seu criador. Bobagem. Garcia-Roza diz que até admite, um dia, aposentar Espinosa da polícia, mas não de seus livros. O próximo, aliás, já está sendo escrito, e conterá mudanças.

E Garcia-Roza cita Rex Stout, o criador de Nero Wolfe. Lembra que em todos os livros, dezenas deles, Wolfe veste o seu imenso pijama amarelo, fica parecendo uma laranja, senta-se em uma poltrona especial para suportar os seus mais de 160 quilos, e é servido por seu cozinheiro alemão.

– E é sempre essa repetição, que é necessária para um personagem que atravessa tantos livros. Isso, se você tem o talento de um Rex Stout, você consegue fazer. Se você não tem, chega uma hora em que você tem que encontrar outra saída, para não ficar a pura repetição, como ele faz ali. Tem autor que resolve simplesmente abandonar ou matar seu personagem, como fez Conan Doyle com o Sherlock Holmes, que ele depois teve que ressuscitar.

E, sobre o próximo livro:

– Estou na fase muito inicial. Ainda definindo personagens, pelo menos os principais, e mais ou menos dando uma direção à história. Mas eu ainda não tenho um plot definido, ainda não tenho a estrutura da história. Tenho só uma direção, que é uma coisa vaga, às vezes eu começo fazendo isso e tomo uma direção completamente diferente. Eu tenho uma maneira muito anárquica de escrever, o que é ruim, porque me dá muito mais trabalho, mas também me dá certa liberdade, não me prende a uma coisa pré-estabelecida. O que posso dizer é que é com Espinosa, em um espaço mais amplo do que o Bairro Peixoto e entorno… Enfim, há algumas mudanças no personagem Espinosa, mas nem essas mudanças estão definidas. Haverá uma mudança em relação a ele que é uma exigência minha, de introduzir algumas modificações significativas, de modo que me dê mais liberdade, e ao Espinosa também. Posso dizer que estou dando ao Espinosa uma espessura histórica maior, uma historicidade maior, ele está ganhando uma história pessoal.

 

(Este é o texto completo que escrevi na ocasião. O texto publicado precisou ser reduzido para que coubesse em uma página. A princípio achei que esta matéria não caberia aqui. É muito recente e pensei que, certamente, uma história como esta ainda teria espaço nos jornais. Mas então Luiz Alfredo Garcia-Roza terminou o seu mais recente romance com Espinosa, aquele que estava apenas delineado quando conversamos pessoalmente pela última vez. De vez em quando – na verdade foram duas vezes – eu perguntava a ele como ia indo o Espinosa. Até que me respondeu que o texto já estava na editora. Sugeri então à redação de O Estado de S. Paulo uma nova matéria – independente da resenha que o jornal certamente publicará – com outra abordagem, que escolheria assim que tivesse o livro em minhas mãos. O Estadão não se interessou.)

(Outras histórias, ou melhor, textos jornalísticos, estão no livro HISTÓRIAS QUE OS JORNAIS NÃO

CONTAM MAIS, da Belaletra Editora)